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14 de Dezembro de 2018

Aprendizados das salas de audiências trabalhistas

Thiago Martins, Estudante de Direito
Publicado por Thiago Martins
há 21 dias

 Diferente de meus outros artigos, desta vez tomarei a liberdade de tratar sobre um assunto mais descontraído, empírico e que não aprendemos nas salas de aulas de uma faculdade, e sim na prática. Gostaria de compartilhar algumas ponderações com vocês, após acompanhar audiências e atuar como preposto, em muitas das vezes desacompanhado de advogado, já que não posso advogar (ainda chego lá), presenciei algumas situações que me proporcionaram grandes aprendizados.

 Uma das coisas que mais me chamaram atenção é a diversidade no comportamento dos magistrados e como isso pode interferir no ambiente, até mesmo em uma audiência trabalhista, acredite. Creio que seja muito importante o advogado conhecer o mínimo de como pensa o juiz que preside a audiência, isso lhe dará maior segurança e uma melhor previsibilidade.

  Alguns magistrados são mais rigorosos e seguem o procedimento à risca, outros são mais flexíveis. Isso pode interferir no decorrer da audiência, quanto mais rigoroso for o juiz, mais alerta terá de ficar o advogado.

 Destaco a importância de reconhecer o comportamento do cliente e da testemunha. Lembro que certa vez peguei o elevador com um rapaz que se comportava de forma inquieta e insegura, ele declarou para mim de que estava com medo e não queria estar ali no momento. De início achei cômico o comportamento, no entanto me fez refletir o quão importante é para o advogado preparar o cliente e a testemunha psicologicamente e, não se restringir somente ao que ela poderá falar ou não.

 Também recordo de outra audiência, na qual durante o depoimento do Reclamante, o advogado dirigiu uma pergunta enquanto segurava o celular com as duas mãos com perceptíveis tremores, o pitch vocal oscilando em claro sinal de nervosismo e por fim deu uma leve gaguejada. Ao ver isso tudo sentado ao seu lado e após checar o número de sua OAB, percebi que até advogados com mais experiência podem passar por procedimentos consideráveis simples de um jeito desconfortável.

 Tudo isso me levou a realizar uma análise de como é importante controlarmos nossas emoções nestas situações. Sobretudo, essas oportunidades proporcionaram-me maior confiança e aquilo que era considerado um “monstro mitológico” para mim antes, por não ter vivenciado nada disso, tornou-se natural.

 Aonde eu gostaria de chegar com isso? Bom, em primeiro lugar, muitos discentes não fazem ideia de como é de estar sentado naquela mesa ou possuem grande medo de estar ali futuramente e perder o controle sobre a situação quando estiver advogando, acredite, eu tinha esse pavor, porém já não vejo mais como um problema. Gostaria de convidar todos estes a acompanharem as audiências na prática e repararem cada detalhe, seja audiência trabalhista, cível ou criminal, tenho certeza que com o passar do tempo você se sentirá habituado.

 Portanto, estas são algumas de minhas ponderações que decidi expor a vocês e desmistificar para outros algo que por muitos é visto de modo abstrato e às vezes como impossível. Em segundo lugar, creio que além de dominar o assunto e ter o conhecimento dos fatos, é importante o operador do direito demonstrar segurança, principalmente o advogado, que deverá ter uma postura de quem realmente solucionará o problema de seu cliente e não de quem lhe causará mais um.

 Por fim, como este é o meu primeiro artigo “descontraído”, tenho a pretensão de escrever mais artigos deste tipo e interagir mais com vocês. Se você tem alguma crítica, curiosidade, sugestão, elogio, dúvidas ou alguma experiência a compartilhar, mande um e-mail para thiago@ramojuridico.com.

 Até mais, pessoal.


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